E m 2016, 343 pessoas LGBTQ+ foram assassinadas no Brasil. Foi o ano mais violento desde 1980, quando o Grupo Gay da Bahia (GGB) começou a coletar e registrar esse tipo de violência. O número é parte de um triste cenário que assola o nosso país e o mundo, em diferentes graus, mas de forma constante.  

Vivemos um momento de expansão da liberdade sexual e de gênero.  

Alguns setores da sociedade têm reagido de forma radical, estimulando a violência, a censura e a perseguição contra a diferença. A interdição do desejo na “cura gay” e a censura das expressões artísticas no caso da exposição cancelada pelo Banco Santander são alguns exemplos recentes. 

A maior parte das histórias que chegam até nós, ou até a maioria da população, contribuem, ainda, para reforçar padrões heteronormativos. Ainda que o tema venha cada vez mais integrando produções de grande circulação (novelas, séries, filmes), o caminho da aceitação ainda é longo. 

Em tempos sombrios de perseguição daquilo que é compreendido como diferente e estranho, parece fundamental conhecermos e consumirmos histórias diversas de vida, de luta, de amor.  

Histórias que nos mostrem a beleza de sermos o que somos, com a mais absoluta plenitude. 

Conhecer a história das comunidades LGBTQ+ é um caminho para compreendê-las e, mais do que isso, defender seu direito de existir.

Siga a Retrato, viva a diversidade. 

Curadoria por

Marcelo Téo

Músico e historiador

1 – Gaycation

David Laven, 2016

É uma série documental lançada em 2016 pela Vice, apresentada por Ellen Page e Ian Daniel. A série explora a cultura LGBT+ ao redor do mundo, incluiondo Japão, EUA, Brasil, Jamaica, Ucrância entre outros. Seus apresentadores, Page e Daniels, conhecem pessoas nessas viagens, ouvem suas histórias, se emocionam com elas. Indicada ao Emmy nos dois anos de sua existência. 

2 – Transparent

Jill Soloway, 2014

Uma produção extremamente sensível, que conta a história de uma família de Los Angeles com sérios problemas de relacionamento. Mort (Jeffrey Tambor) tem três filhos, já adultos: Ali (Gaby Hoffman), Sarah (Amy Landecker) e Josh (Jay Duplass). Quando ele os reúne para falar do futuro, os três ficam chocados ao descobrir que o assunto não é herança finaceira, mas a notícia de que o pai deseja se assumir como transgênero. Todos os relacionamentos, com o mundo, com eles mesmos e um com o outro, irão se modificar à medida que os segredos e as dificuldades vão se desvendando. Imperdível. 

3 – Queen of the desert

Alex Kelly, 2012

Como uma Priscilla da vida real, Starlady nos leva em sua própria jornada no deserto, em Areyonga, uma comunidade indígena na Austrália Central. Lá ela trabalha com alguns dos adolescentes australianos mais isolados, usando muita cor com a esperança de espalhar confiança e orgulho, aceitação e amizade. Imperdível. Se quiser saber mais, veja a palestra dela no TED.

4 – Paris is Burning

Jenny Livingston, 1990

Um retrato do universo drag nos anos de 1980 no Harlem. As primeiras cenas são extasiantes, dando uma mostra viva da realidade brilhante de Nova Yorque naquele momento. Os bailes, os depoimentos, a competição: tudo pode parecer estranho num primeiro momento. Mas o filme permite, com sua crueza, mergulhar naquele cenário para melhor compreendê-lo. Uma linda oportunidade para viver a diversidade. 

5 – Freeheld

Cynthia Wade, 2007

O documentário (2007), que inspirou o filme de mesmo nome (traduzido no Brasil como “Amor por direito”) estrelado por Juliane Moore e Ellen Page (2016), conta a história da policial Laurel Hester. Depois de passar 25 anos de sua vida protegendo os direitos de vítimas e colocando sua vida em jogo diariamente, foi diagnosticada com um câncer terminal. E sua última batalha foi em defesa do amor de sua vida, Stacey Andree. O filme trata da batalha de Laurel para transferir sua pensão para Stacey. Com menos de seis meses de vida, ela se recusa a aceitar o veredito negativo, criando um movimento em torno do caso. Entre momentos de tensão e tomadas silenciosas da relação entre Laurel e Stacey, o filme combina drama político e vida pessoal de forma bastante rica. Uma história sofrida, mas inspiradora. 

6 – The Pearl of Africa

Jonny von Wallström, 2016

Cléopatra Kumbugu é uma mulher transexual que foi obrigada a fugir de Uganda após ter seu nome exposto em uma lista que “denunciava” homossexuais na primeira página do Red Paper, um dos principais tablóides do país. Antes da fuga, ela foi forçada a viver um mês de portas fechadas para que não fosse presa e perdeu o contato com vários de seus familiares. Esta dramática história é retratada em The Pearl of África. Hoje Cleópatra mora no Quênia e luta pelo reconhecimento de seus direitos em seu país de origem. Vale ressaltar que Uganda é um dos países mais homofóbicos e transfóbicos do mundo. Em 2015, o presidente Yoweri Museveni sancionou uma lei que prevê pena de 14 anos de prisão para pessoas que mantiverem relações sexuais com parceiros do mesmo sexo e prisão perpétua para reincidentes.

7 – Gayby Baby

Maya Newell, 2015 

O filme acompanha a rotina de quatro crianças, Gus, Ebonny, Matt e Graham, filhos de pais homossexuais. Apresentado sob a ótica das crianças, o documentário esteve no centro de uma polêmica no ano de seu lançamento, quando o então ministro da Educação de Nova Gales do Sul, Andrew Piccoli, proibiu sua exibição em escolas do ensino médio do Estado. Na época, o longa seria exibido com o objetivo de promover incentivar a discussão sobre diversidade e tolerância às diferenças. Hoje disponível no Netflix, a obra alcançou um público amplo, divulgando um olhar sensível sobre o preconceito.

8 – Buck Angel: sou um cara e tenho uma vagina

TRIP TV, 2015

Buck Angel, ativista, produtor de filmes pornô, ícone LGBT+, é uma das principais vozes de homens trans no mundo. Buck conta ao programa como se livrou do vício em drogas e da depressão ao descobrir que tinha nascido no corpo errado: “Genitais não determinam quem você é. Minha vagina faz parte da minha masculinidade”. Você pode acompanhar Buck em seu canal no youtube. Vale a pena!

9 – Triângulo Rosa (Paragraph 175)

Rob Epstein e Jeffrey Friedman, 2000

Durante a Segunda Guerra Mundial, a perseguição nazista também teve como alvo os homossexuais. Eles eram marcados com um triângulo rosa e mandados para campos de concentração. Por esse motivo, o triângulo rosa se tornou um dos símbolos do movimento ativista gay. O ‘Holocausto gay’ teve como base uma lei, o Parágrafo 175, de onde se originou o título do filme. O Triângulo Rosa se baseia em testemunhos dos últimos sobreviventes de campos de concentração nazistas, de forma a reconstruir uma parte ainda ignorada da história da homossexualidade. 

10 – Laerte-se

Lygia Barbosa e Eliane Brum, 2017

Depois de quase 60 anos como homem, três filhos e três casamentos, Laerte Coutinho, um dos cartunistas mais geniais do Brasil, apresentou-se como mulher. O primeiro documentário brasileiro original Netflix acompanha a investigação de Laerte sobre o mundo feminino na intimidade do cotidiano. 

11 – Mala Mala

Antonio Santini e Dan Sickles, 2014

As jovens transexuais e drag queens de Porto Rico são as protagonistas de Mala Mala. No filme, os diretores Dan Sickles e Antonio Santini dão voz a 8 diferentes perfis de mulheres trans (e 1 de homem trans) a fim de mostrar a diversidade de aspirações dentro dessa comunidade e expor realidades e histórias ainda cruelmenre marcadas pela discriminação. Entre as entrevistadas estão uma prostituta, uma hairstylist, uma ativista a April Carrion, uma  RuPaul Drag Race Star. 

12 – Pecados da carne

Haim Tabakmam, 2010

Num bairro ultra-ortodoxo de Jerusalém, pai de quatro filhos tem sua vida mudada completamente com a chegada do jovem estudante Ezri. Ambos começam a passar tempo juntos, e por períodos cada vez maiores, levando Aaron a ser imediatamente discriminado em sua comunidade 

13 – Morte e vida de Marsha P. Johnson

David France, 2017 

Quando o corpo de Marsha P. Johnson – a adorada e autointitulada “rainha da rua” da comunidade gay de Nova York – foi encontrado boiando no rio Hudson em 1992, a polícia local se recusou a investigar e declarou suicídio. A conclusão foi amplamente rejeitada e deixou o mistério no ar por décadas. Com um papel crucial na Rebelião de Stonewall de 1969, Marsha e a também lendária Sylvia Rivera formaram em 1970 a STAR (Street Transvestites Action Revolutionaries), a primeira organização a lutar pelos direitos da comunidade transgênera. E, apesar dos inúmeros desafios enfrentados por elas durante a vida, incluindo abuso, falta de moradia e alcoolismo, Marsha e Sylvia deram origem a um poderoso e duradouro movimento pelos direitos civis de pessoas de gênero não-conformativo.

14 – Queer as folk

Ron Cowen e Daniel Lipman, 2000 

Baseada em uma série britânica de mesmo nome, Queer as Folk narra a vida de cinco gays em Pittsburgh: Brian (Gale Harold), Justin (Randy Harrison), Michael (Hal Sparks), Emmett (Peter Paige) e Ted (Scott Lowell). A série foi transmitida pelo canal Showtime de 2000 a 2005. No Brasil, foi intitulada Os assumidos e foi exibida pela Cinemax. 

Gostou desta lista que preparamos para você?

Não deixe de comentar o que você achou, sugerir outros títulos que poderiam estar nesta lista ou outros temas!

Até a próxima!

Participe! Um comentário

Deixe um comentário