Ao sair de Broome, na Austrália, onde gravamos a história de Roy Wiggan, protagonista do filme Alive, Edu e eu pegamos um voo para Christchurch, na Nova Zelândia. Quando nos acomodamos no avião, Edu me olhou e disse: “Vamos ter que voltar aqui e contar a história da Lorna” (Lorna Kelly, que havia sido nossa anfitriã). 

Do Alive nasceu o projeto
Originals 

M esmo sabendo que a experiência de  gravar o documentário Alive tinha sido fenomenal e que a história de Lorna mais do que merecia ser contada, eu  disse: “Imagina! Estamos indo para a Nova Zelândia agora. Sabe deus quando vamos voltar pra “. E assim desembarcamos em terra maori, onde compramos uma van, que seria nossa casa pelos próximos oito meses. 

Um dia, em uma chamada de vídeo com minha grande amiga Camila Stähelin, jornalista, historiadora e viajante, compartilhamos o que tínhamos acabado de viver e ela nos contou que havia recém concluído um curso de Dragon Dreaming, uma metodologia de desenvolvimento de projetos criada por um australiano e baseada na cultura aborígene. “Pin“, bateu o sino da sincronicidade. E, num impulso, eu disse: “Bora, amiga!“.

Camila falou com Ana Sousa, outra amiga e jornalista que tinha feito o curso com ela e acabou se interessando pela ideia de um documentário sobre Lorna. Ana conversou com Luisa Tombini Wittmann, professora do departamento de história da Universidade Estadual de Santa Catarina, que dias depois assistiu, por acaso, a uma palestra de um aborígene e também se sentiu chamada. Luisa falou com seu marido, Marcelo Téo, historiador e músico que estava começando a trabalhar com audiovisual. Camila e Ana também expuseram a ideia para seus respetivos companheiros, o músico Leonardo Souza e o jornalista Fábio Berlinga.

Assim, nasceu o Chama Coletivo Multimídia e o projeto Originals, para contar histórias de diferentes povos indígenas. Com uma campanha de financiamento coletivo e muito investimento pessoal, conseguimos viabilizar a captação da edição Austrália. Refizemos o percurso de Perth a Broome, agora na companhia de Lorna, que carinhosamente apelidamos de diretora, e de todos os integrantes do Chama. Ao final, ainda revimos Roy, em sua casa, onde ouvimos músicas tradicionais, conversamos e nos abraçamos, pela última vez.

Em breve, o documentário Welcome Home, do projeto Originals, será lançado e acompanhado por publicações sobre o processo de produção.

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