Edu havia ficado meses sem pegar a câmera durante nossa estada em Byron Bay, na costa leste da Austrália. Esse distanciamento, depois de sete anos fotografando diariamente para o jornal, o levou a muitas reflexões sobre seu ofício. O tamanho das influências externas e internas no seu trabalho, a presença exacerbada do ego nas escolhas do que fotografar e o pouco tempo dedicado às histórias no dia a dia das redações. 

Captação e edição de imagens do filme
Alive – In the shadows of Australia

B uscar intimidade com as pessoas que contam suas histórias para ele virou um objetivo, bastante inspirado pelo fotojornalista americano W. Eugene Smith. Com Roy Wiggan, personagem principal do filma Alive, foram poucos dias, mas muitas e intensas horas. E houve o desenvolvimento da intimidade, essencial para que a experiência de participar de um filme seja agradável para todos. Tanto que, como contei no primeiro post sobre os bastidores do Alive, ao final das gravações, tivemos uma despedida carinhosa no aeroporto, com a presença de todos os envolvidos. 

Além do forte contato pessoal, continuamos convivendo muito tempo com Roy digitalmente, durante a edição do material. Várias versões do Alive foram editadas. Fora os desafios técnicos do Final Cut Pro 7, passamos por um longo processo de garimpagem da história. Transcrevemos todas as entrevistas, imprimimos e recortamos as falas para montar o roteiro em papel. Em seguida, Edu assumiu a montagem visual, também retrabalhando a narrativa textual aqui e ali, treinando o inglês com o sotaque forte de Roy. 

Depois, pedimos muitas opiniões e fizemos muitas modificações. Uma das mais importantes observações veio do produtor de cinema Raymond Steiner (“The Cup”, “Travelers and Magicians”, “Milarepa” etc.), que conhecemos na Índia. Diante de tantas declarações impactantes de Lorna e Owen, havíamos perdido o foco na história de Roy, o personagem principal. Fizemos as modificações necessárias e, a partir daí, começamos a receber mais validações que sugestões de mudanças. 

Outro feedback relevante foi sobre o tom do final do filme. Estava demasiamente pesado, dadas as imensas dificuldades enfrentadas pelos povos originários da Austrália. Com mais trabalho em cima do material, acabamos encontrando em Roy a alegria que faltava, a alegria que, apesar de tudo, ainda resiste nessas populações.

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