N ão é novidade a situação de tensão que vivem as comunidades indígenas dentro e fora do Brasil. A luta por terras que lhes possibilitem subsistir, física, cultural e espiritualmente, a incompreensão dos seus modos de vida, a percepção dura e congelada do indígena ideal, as inúmeras violências físicas e simbólicas: todos problemas reais e cotidianos para essas populações.

Mas também é verdade que essas comunidades continuam crescendo, se organizando e lutando pelos seus direitos.

Por vezes um amigo pode argumentar em defesa da economia nacional e do desenvolvimento do agronegócio. Outro pode achar um contrassenso ver indígenas usando “roupa de branco” e tecnologia. Alguns simplesmente sentem pena por uma suposta fragilidade, ingenuidade desses povos pertencentes a um tempo idílico. Essas visões são resultantes de falta de informação, convívio e empatia.

Quando falamos de pessoas, a melhor forma para tomar decisões ou tomar determinado partido é conhecer suas histórias, ouvir suas vozes, seus gritos, seus desejos.

Esta playlist tem como objetivo ajudar você a conhecer um pouco mais sobre o que os povos indígenas de diversos lugares têm em comum e de único. Como suas culturas carregam especificidades. Suas lutas, suas causas, o que os motiva. Documentários e filmes de ficção sobre o Brasil e outros lugares do planeta onde essas culturas existem e resistem, oferecendo conhecimento ancestral pertinente na resolução de problemas do mundo contemporâneo. Desenvolva sua capacidade empática conhecendo realidades plurais.

Curadoria por

Luisa Tombini Wittmann

Professora do departamento de história da Universidade Estadual de Santa Catarina

Saiba mais sobre uma dessas histórias na série de posts sobre o filme Alive, uma produção da Retrato.

Esta playlist também está disponível em nosso canal do Youtube.

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1 – Geração roubada

(Phillip Noyce), 2002

Molly Craig é uma jovem australiana de 14 anos que, em 1931, ao lado de sua irmã Daisy, de 10 anos, e sua prima Gracie, de 8 anos, foge de um campo do governo britânico da Austrália, criado para treinar mulheres arborígenes para serem empregadas domésticas. Molly guia as meninas por quase três mil quilômetros através do interior do país, em busca da cerca que o divide e que a permitiria voltar para sua aldeia de origem, de onde foram tiradas dos braços de suas mães. Na jornada elas são perseguidas pelos homens do terrível governador A. O. Neville (Kenneth Branagh), que não admite a divergência com a sabedoria branca e cristã. 

2 – Onde sonham as formigas verdes

(Werner Herzog), 1984

O geologista Lance Hackett trabalha para uma companhia de mineração na Austrália. O seu trabalho está para ser comprometido, já que um grupo de aborígenes está planejando interromper o seu trabalho de extração de urânio em uma área de terras sagradas.

3 – O abraço da serpente

(Ciro Guerra), 2016

Théo é um explorador europeu que conta com a ajuda do xamã Karamakate para percorrer o rio Amazonas. Gravemente doente, ele busca uma lendária flor que pode curar sua enfermidade. Quarenta anos depois, a trilha de Théo é seguida por Evan, outro explorador que tenta convencer Karamakate a ajudá-lo.

4 – Londres como uma aldeia

(Takumã Kuikuro), 2017

Ete Londres segue a viagem feita pelo cineasta Indígena Takumã Kuikuro ao coração de uma das cidades mais movimentadas do mundo: Londres. Deixando por um mês sua família e povo na Reserva Indígena do Xingu, Takumã desembarca na Europa com uma câmera nas mãos, a paixão pelo registro visual e o desejo de explorar as similaridades e diferenças entre sua cultura e a dos Hiper-brancos, termo usado pelos Kuikuro para designar os não-brasileiros. Um documentário bem humorado e antropológico sobre a sociedade ocidental e suas muitas tribos escondidas sob os arranha-céus.

5 –Indígenas Digitais

(Sebastian Gerlic), 2010

Documentário sobre inclusão digital indígena que retrata a apropriação que os indígenas fazem das tecnologias, tornando-se “ciberativistas” e “etnojornalistas” das próprias realidades. 

6 – Mbaraká – A palavra que age

(Spency Pimentel), 2010

Sobre os cantos dos Guarani Kaiowá e sua relação com a luta pela terra.

7 – As hiper mulheres

(Takumã Kuikuro, Carlos Fausto e Leonardo Sette), 2013 

Com receio que sua esposa já idosa venha a falecer, um velho pede que seu sobrinho realize o Jamurikumalu, o maior ritual feminino do Alto Xingu (MT), para que ela possa cantar mais uma última vez. As mulheres do grupo começam os ensaios enquanto a única cantora que de fato sabe todas as músicas se encontra gravemente doente. 

8 – Terra vermelha

(Marcos Bechis) 2008

Uma onda de suicídio entre jovens do povo Guarani-Kaiowá desperta sua comunidade para a necessidade de resgatar suas origens. Os índios creem que o espírito causador do suicídio pode ser controlado com a reconquista de seus espaços naturais e espirituais. Ilhados pelas relações capitalistas, um dos motivos do desaparecimento gradual da cultura desse povo é a disputa por terras com os fazendeiros da região. Para os Kaiowás, essas terras são seu patrimônio espiritual. A sua religião tem forte ligação com a terra, que é origem e fonte da vida. Assim, eles não se consideram donos, mas parte da terra, e acreditam que a separação que sofreram desse espaço é a causa dos males que os rodeiam.

9 – Bicicletas de nhanderú

(Patricia Ferreira Keretxu, Ariel Duarte Ortega), 2011

Uma imersão na espiritualidade presente no cotidiano dos Mbya-Guarani da aldeia Koenju, em São Miguel das Missões no Rio Grande do Sul.

10 – Martírio

(Vincent Carelli, Ernesto de Carvalho e Tita), 2016

A insurgência obstinada dos povos Guarani Kaiowá frente ao poderoso aparato do agronegócio.

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Até a próxima!

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