A pós publicar o documentário Diários de Ocupação, sobre a ocupação de Escolas Estaduais em São Paulo, a Retrato traz recomendações de outras produções que documentaram movimentos sociais. A curadoria e o texto abaixo são do professor do Curso de História da Universidade do Estado de Santa Catarina Rafael Rosa Hagemeyer*.

A história do vídeo-ativismo está relacionada com a própria história do cinema-documentário. Desde que a tecnologia de gravar imagens em movimento foi desenvolvida, houve a possibilidade de contar histórias na tela de forma semelhante à do teatro, com atores e cenários, envolvidos em uma trama com a qual os espectadores se identificavam. Se o cinema de ficção desenvolveu esse tipo de perspectiva, o cinema documentário esteve voltado para lugares e personagens reais, envolvidos com problemas e experiências reais, ainda que essas situações também fossem apresentadas na forma de um drama, acompanhando a trajetória de alguns personagens e com um desfecho no final.

Quando se trata da luta de um grupo pelo reconhecimento de seus direitos, através da mobilização coletiva, há algo a ser contado em torno dos seus problemas, do papel da organização no encaminhamento das ações, da relação entre os seus representantes e as autoridades, do saldo que pode ser avaliado em torno de suas conquistas e derrotas.

Inicialmente, a produção de documentários sobre movimentos sociais no Brasil foi realizada por universitários, que registraram os movimentos estudantis que ocorriam dentro das universidades. Mas as novas tecnologias de gravação permitiram captar imagens e sons em ambientes externos, permitindo dar voz a quem não tinha. Registrar a organização popular em diversos setores era uma maneira de ajudar no processo, pois dava aos participantes uma visão geral de todas as tarefas que estavam sendo coordenadas para que o movimento atingisse seus objetivos.

Ao mesmo tempo, acabaria servindo como registro das arbitrariedades cometidas pelos agentes da lei, dos limites da democracia e dos riscos que assumem aqueles que saem em defesa de seus direitos como os cidadãos. Capturadas diretamente da realidade, nem sempre essas histórias terminam com um final feliz, ou sequer com uma mensagem otimista em relação ao que se espera do futuro.

É o espectador que deve refletir sobre o sentido da luta, o modo como ela se articula e os resultados que obtém dentro de uma correlação de forças políticas em cada contexto.

Curado por

Rafael Rosa Hagemeyer, doutor em História, professor da Universidade do Estado de Santa Catarina

Rafael Rosa Hagemeyer

Historiador

1 – Universidade em crise, 1966

2 – Braços cruzados, máquinas paradas, 1978

3 – Linha de montagem, 1982

4 – Cabra marcado para morrer, 1984

5 – Terra para Rose, 1987

6 – Casa de cachorro, 2000

7 – Amanhã vai ser maior

8 – Lixo extraordinário, 2011

9 – Junho, o mês que abalou o Brasil, 2014

10 – Luto pela educação, 2015

* Rafael Rosa Hagemeyer é doutor em História, professor da Universidade do Estado de Santa Catarina. É coordenador do Laboratório de Imagem e Som do curso de História da UDESC e autor dos livros “Caminhando e Cantando: o imaginário do movimento estudantil brasileiro de 1968”, “História & Audiovisual” e do documentário “Um dia nublado: o cinema nas greves do ABC (1979-1980).

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Até a próxima!

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