O despertar do ouvido

Ouvimos, no cotidiano, milhares de sons diferentes, muitas vezes sem notá-los. A escuta provoca nosso intelecto e nosso corpo, estimulando conexões com o instinto, com os sentimentos, com o coração. As imagens ganham vida via universo sonoro. A solidão é amenizada pelo barulho. Uma canção pode preencher os vazios deixados pela saudade. E uma voz familiar pode transformar o pavor em alegria e alívio.

Ouvir é uma arte. E precisamos ouvir mais.

Por isso, a Retrato lança esta semana a sessão Sonoro, onde publicaremos conteúdos voltados ao despertar do ouvido. Abordando temas que remetem ao mundo dos sons e da sensorialidade, nossas produções contemplam questões, estilos, espaços e personagens que são verdadeiras usinas sonoras. Contribuem, cada um à sua maneira, para uma progressiva conscientização do ambiente sonoro, remando contra a maré da poluição áudio(visual), do engavetamento das identidades, do achatamento das formas de relacionamento com o mundo.

Aqui no nosso site e na sessão Sonoro do nosso canal no Youtube, você encontra histórias, canções, crônicas e reportagens, além da curadoria de conteúdos ligados direta ou indiretamente ao mundo dos sons.

Abrimos o Sonoro com o programa Floripa Sessions, que consiste na criação de um espaço de música independente. Registramos performances acústicas de artistas locais, regionais, nacionais e internacionais, sempre em locações privilegiadas da cidade de Florianópolis.

É François Muleka quem inaugura o programa com Ayù, linda composição em parceria com Renata Calippo.

A ideia é levar a um público amplo de espectadores um repertório de artistas empenhados em trazer ao mundo novas canções, dando força a um movimento de valorização da figura do(a) compositor(a) e de expansão dos espaços de apresentação de trabalhos originais, muitas vezes deixados de lado por estabelecimentos que ainda restringem sua agenda à música não-autoral.

O cenário musical de Florianópolis é muito rico, tanto pela profusão de artistas locais quanto pela densa agenda de shows que passam pela cidade. Ainda que a capital de Santa Catarina não concorra com grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo, possui uma personalidade musical capaz de atrair artistas de todo o Brasil e do exterior pela atmosfera singular, congregando paisagens (naturais, urbanas e culturais) e públicos simpáticos a estilos diversos e abertos à novidade.

Ouvir é um dos caminhos para aceitar a diversidade.

Sobre
Existimos para combater a invisibilidade social causada pelo desequilíbrio de histórias.

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