Restaurantes com cozinhas diversas

Pegue o pão caseiro que não aparece na foto. Mergulhe nesse molho que acompanha o camarão. Enquanto você saboreia, pense em quem fez o pão. Talvez alguém que nunca vai comer o camarão desse restaurante. E quem pegou as ostras, para agora elas estarem belamente posicionadas em cubos de gelo? Talvez essa pessoa também não vá, como eu e provavelmente você, experimentá-las assim, servidas em um restaurante na beira do mar.

Pense que essa pessoa pode ser homossexual ou negra e receber ameaças reais e diárias de quem anda com fome de ódio e preconceito. Pense que pode ser uma mulher, que tem medo de andar na rua à noite pois teme ser estuprada e ser responsabilizada por isso.Pense nessas pessoas que não tem as mesmas chances que você e eu. Pense em quem está ao seu lado comendo, e que também pode estar sofrendo da mesma forma. E nas pessoas da mesa ao lado. Tente se colocar no lugar do outro, pelo menos de quem está ao seu redor. E quando o pão acabar e os pratos estiverem vazios, lembre-se que isso é a realidade de muitos. E por favor, não pensem em meritocracia em um país historicamente desigual. Pensem com o coração, com alguns palmos distante do seu próprio umbigo. *E para deixar bem explicadinho: não estou dizendo aqui que não existe comida boa, acessível e barata. Existe, e tão boa quanto a de qualquer restaurante estrelado. O post é só um recorte, uma analogia para o momento da foto e do mundo.

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